Newsletter · abril de 2026
Profitshares (repensados).
A única coisa garantida sobre o teu negócio daqui a 10 anos é que tu ainda vais cá estar. O resto é conjetura.
Acontece-me muito nas consultas que dou. Alguém está a começar o negócio e acha que precisa de sócio para arrancar. Ou já está a faturar e quer crescer, e acha que a única forma é trazer alguém para dentro, dar-lhe uma fatia da empresa, e esperar que faça a diferença.
Em 9 de 10 casos é um erro.
Eu sei isso, tu sabes isso. Então porque é que as pessoas fazem isto? Simples. Estão sozinhas. Sentem-se pequenas para a operação. Olham para a lista de coisas que não sabem fazer, ou que não têm tempo para fazer, e a conclusão parece óbvia: preciso de alguém ao meu lado. E se vai estar ao lado delas, tem de ter equity.
E aqui começa o problema.
Dar equity é para sempre. Estás a comprometer uma parte do upside futuro para resolver um problema de execução presente.
A pergunta certa é: precisas de um sócio ou de alguém que faça o trabalho? Porque há uma grande diferença entre estas duas coisas.
Muitas das funções pelas quais estavas a pensar trazer um sócio (vendas, marketing, conteúdo, operações, análise, suporte) podem ser executadas por sistemas com IA numa fase inicial. E estes custam uma fração do que custaria um sócio com 20% ou 30% da empresa.
Se o problema é comercial (normalmente é), automatiza a prospeção e o follow-up. Se é de conteúdo, automatiza a produção. Se é operacional, automatiza o processo.
Nenhum destes casos justifica dar uma parte da empresa.
Quando é que um sócio faz sentido?
Quando traz algo que a IA não traz: capital, acesso a mercado, uma rede de contactos que tu não tens, ou liderança humana que altera a trajetória da empresa.
Se não é isto, não é sócio. É funcionário. E hoje, em muitos casos, nem sequer é funcionário. É sistema.
Antes de dares uma parte da tua empresa, faz este exercício: lista tudo o que achas que o sócio ia fazer. Agora pergunta, tarefa a tarefa, se a IA não consegue fazer aquilo.
Vais-te surpreender. Acabei de te poupar uns bons milhões. Vemo-nos lá à frente.
Abraço,
Daniel da Costa
CEO e fundador da AGENS
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